Alertas da Mãe Terra

Os povos antigos honravam a Mãe Terra e agradeciam a Ela pelosseus frutos, invocando suas bênçãos nos plantios e demonstrando sua gratidão nas colheitas, fazendo oferendas daquilo que produziam, comiam e bebiam, antes de se servirem. (FAUR, 2015, p. 94)

As contribuições advindas de memórias ancestrais desenhadas sob perfil matrifocal* apresentam-se, na atual conjuntura e neste momento em que a cidade de Belém, no estado do Pará, acolherá a 30a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), como nutrientes necessários e indispensáveis (se percebidos na perspectiva do Bem–Viver Universal), no processo de revitalização de saberes, de cuidados e até mesmo nos jeitos de reinventar relações solidárias com todos os seres que se abrigam indistintamente no colo da Mãe Terra: do grão de areia ao ar. Sem dúvidas, o momento nos evoca olhar para além do insignificante EU [self], e acolher os chamados em defesa dos elementos naturais como membros indistintos e indispensáveis na construção da teia da vida*. Segundo Capra (19960 [… a natureza não nos mostra blocos de construção isolados, mas, em vez disso, aparece como uma complexa teia de relações entre as várias partes de um todo unificado].

A realidade está posta: agressividades incontroladas aos ambientes naturais e às respectivas formas de vidas; o volume de adoecimentos paralelo às limitações da medicina moderna (modelo biomédico) fundamentada nos pensamentos de René Descartes (1596-1650) e Isaac Newton (1642-1727), referências de Vasconcelos (2011),  em controvérsia a uma ética humanamente justa, equitativa consolidada a partir de modos ecologicamente sustentáveis captados das antigas sociedades e de suas reverências para com a Terra – nossa Casa Comum. Ao mesmo tempo, os sopros aqui compartilhados se atrevem como anúncios em defesa da Vida e de sua universalidade; como denúncias à corrida desenfreada por lucratividade material; enfim, são gritos sutis por socorro contra dinâmicas exploratórias, abusivas sobre o Ventre Sagrado da Mãe Terra.

A propósito, vale problematizar ainda patamares alcançados mundialmente a partir do evolucionismo histórico configurado em modernidade, e de seus elementos constitutivos: modelo econômico, tecnologias imperialistas, mecanicismos cientificistas/academicistas, mercantilização dos recursos naturais e etc.; tais suportes contribuíram e contribuem decisivamente, via massificação midiática, para a efetivação de um estado patológico de amnésia coletiva ou memoricídio biocultural, constante na Obra A Memória Biocultural (TOLEDO e BARRERA-BASSOLIS, 2015).

A conceituação trazida na Obra citada manifesta-se em estado de sonambulismo, de dormência sociocultural com reflexos destrutivos sobre quaisquer perspectivas para um pleno e sadio envolvimento humano com a essencialidade da Vida experienciada nas longínquas ancestralidades.

Não é necessário mergulhar muito em comprovações; a realidade mais próxima de nós, a Amazônia fala por si: quantos de nós, cabocos e cabocas amazônidas perdemos, ignoramos e até mesmo negamos nossas referências culturais… Boa parte da cabocada alinhada aos códigos colonialistas relega à discriminação nosso cardápio original (o peixe com farinha, as variedades de bejus, frutas nativas, bebidas energizantes…); nossos utensílios domésticos (cuias, potes, paneiros, vasilhas de barro, pilões e etc.), nossas plantas medicinais… Até nossos mitos, crenças e falares vão sendo transformados em “vida eterna” nos registros acadêmicos. E o mais doloroso: a morte lenta e silenciosa de jeitos naturais, cuidadosos no cultivo e garantia da sustentabilidade dos recursos naturais e respectivos elementais substituídos de forma agressiva, a partir da “revolução verde” imposta no Brasil em 1946, por agrotóxicos, motosserras, “gafanhotos hydro”, pulverização aérea, dispositivos eletrônicos emissores de gases poluentes, uso exacerbado de plástico e por uma infinidade de farsas agromercantis sem controle ou fiscalizações justas por parte do Estado.

Impossível negar o painel em descrição como vetor da crise mundial e da catástrofe sistêmica em processo evolutivo. O anúncio interventivo também denuncia o fracasso da dita “globalização da economia” que já estabelece um futuro terrorismo internacional com afetação drástica às populações nativas e a modos de vida comunitários até então sustentados sob ancestrais sabedorias.

Sem dúvidas, as distorções sistêmicas são provocadoras para o despertar de uma nova consciência, de um assumir responsável e cuidadoso com as vivências originárias das antigas populações para com a Casa Comum e com seus habitantes independentemente da espécie: humanos, bichos e demais diversidades – solos, florestas, águas, pedras e as variadas formas de vida.

A propósito do despertar para uma nova consciência universal, há fundamentos acurados nas contribuições dos pesquisadores e ambientalistas James Lovelock (1970) e Lynn Margulis referentes à Hipótese Gaia. Em princípio, a Hipótese Gaia explica “o comportamento sistêmico do Planeta Terra, como uma estrutura complexa e viva, autorregulável, em que a interdependência de todas as formas de vida, junto com o solo, os oceanos e a atmosfera, formam um único sistema vivo; reconhecendo-O como uma entidade inteligente do Universo e a nossa íntima relação com toda a criação por meio de uma energia sutil que liga todos os seres vivos”.

Por esse olhar, faz-se visível o equilíbrio humanos/Natureza, razão/emoção, matéria/espírito, em oposição a conceitos mecanicistas atuais que destruíram as antigas reverências e cuidados pelas energias naturais, concebidas como retrato da Fonte Divina. (FAUR, 2015).

Reverências à Mãe Terra

As referências aqui postas se fazem necessárias. Trazem esclarecimentos em relação aos argumentos cultivados em nossas percepções, em nossas práticas, a partir dos diálogos estabelecidos com o Planeta Terra, por nós reverenciado – Mãe Terra ou Grande Mãe. A abordagem envolve olhares místicos, em contraposição ao perfil positivista da ciência oficial (assimilada globalmente) centralizada em aspectos mensuráveis e até mesmo epistemicidas. Portanto, adentrar no universo místico da Mãe Terra exige mais ainda zelo, rigor e cuidado com as opiniões expressadas; no geral, interpretadas como devaneios, bruxarias e/ou superstições. Muitas dessas expressividades são vozes da alma – o habitat de sentimentos mais profundos, às vezes inatingíveis às limitações das palavras e/ou da racionalidade. 

É sabido que o culto à Terra como Mãe é milenar. As antigas civilizações A reverenciavam como a Grande Mãe, Cósmica, Celeste, Telúrica e Ctônica, aquela que dá e tira a vida. É a eterna Criadora, Ceifadora, Regeneradora; a Tecelã Divina que entrelaça e conduz todas as forças do universo (FAUR, 2011).

As referências em destaque eram cultivadas em todas as comunidades matrifocais independentemente da denominação atribuída. Na conjuntura atual, os impositivos sistêmicos patriarcais/epistemicidas encarregaram-se de eliminar quase que universalmente essas cultuações com impactos sobre as populações nativas. Com raríssimas exceções, antigos sentimentos, reverências e cultos à Grande Mãe ainda sobrevivem de forma isolada. De resultado, estabeleceram-se inúmeras formas de agressões e de desrespeito à Vida: desmatamentos, queimadas, envenenamentos do solo, das águas e do ar, extermínio de espécies vegetais e animais, domínio ilegal de terras, confinamento das populações tradicionais, mercantilização desenfreada dos recursos naturais, trabalho escravo e etc. Na sequência da barbárie, as mulheres, tal qual a Mãe Terra, foram condenadas aos mesmos suplícios.

Em confirmação ao memoricídio cultural sobre as populações da Amazônia flui o questionamento: sob que denominação, nós, amazonenses, reverenciamos o Planeta Terra?

Tênues rascunhos pontuam o que foi possível investigar das reverências à Terra Mãe. Por aqui são citadas (apenas citadas sem maiores aprofundamentos): Gaia ou Geia (Terra) cultuada pelos gregos como Mãe Terra. Na América Latina, Pachamama: Pacha (universo, mundo, tempo, lugar); Mama (mãe). Na Índia, Prithvi Mata, (Mãe Terra). Esta última, em grupos restritos seguidores do Hinduísmo e Budismo. No Brasil, a herança místico cultural dos Guarani configura a Natureza em Yacy; Ya (Grande senhora); Cy (Mãe). Na Amazônia, Iara (Deusa das Águas)

A questão é provocadora para aprofundamentos e autodescobertas, no sentido de um possível resgate cultural ao princípio criativo da Vida; a um retorno que reestabeleça a consciência da ligação de todos os seres vivos com o cordão umbilical energético*, célula mãe da tessitura universal.

Ecos místicos

O mito milenar, ou melhor, os fundamentos da ciência construída por nossos ancestrais ecoam ativamente até hoje nas consciências de ambientalistas, ativistas e pesquisadores afinados com os acordes emitidos do coração da Terra Mãe. As violências estruturantes sobre seu corpo, sobre seus filhos e filhas, a exploração indiscriminada de seus recursos, assim com tantas outras injúrias, instigam olhares interventivos e desafiadores. Urge proporcionar proteção e cuidados justos sobre o que ainda resta; ao mesmo tempo construir coletivamente caminhos e modos sustentáveis de vida aqui, agora e no incógnito amanhã vislumbrado para as vidas futuras que sobreviverem à barbárie, à catástrofe sistêmica.

Na busca por caminhos sustentáveis e equitativos, por um assumir responsável e cuidadoso com nossa Casa Comum, sintonizamos com os alertas e clamores da Mãe Terra: efetivação das Leis no 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos e Orgânicos; np 9.605/1988 conhecida como Lei de Crimes Ambientais cujo Decreto11.349/2023 aponta a Defesa e Direito dos Animais e Mudança do Clima. Mãe Terra também clama insistentemente contra a contaminação das águas tubulares sob intenções de privatização dos recursos hídricos; contra a amnésia sobre os saberes popular/tradicionais em saúde; contra as nocividades do agronegócio sobre os alimentos; contra a morte silenciada de espécies vegetais e animais; em resumo, contra a efetivação do memoricídio biocultural

Impossível silenciar. Problematizações despertam intervenções, responsabilidades e cuidados coletivos com o Ventre Sagrado já ameaçado; incentivam trocas de conhecimentos e saberes, de sentimentos, de palavras e práticas cuidadosas. São memórias matrifocais instigando populações das cidades, campos, florestas e águas (mulheres e homens de boa vontade, produtores, educadores, militantes e ativistas populares) a dissolverem sentimentos e posições conflitantes entre si e respectivos territórios; a ampliar a consciência de nossa íntima relação com toda a criação por meio de uma energia sutil que liga todos os seres vivos – princípio anunciado na Hipótese Gaia. Por essa via de elevação da alma, de maneiras solidárias e naturais de lidar com o universo/diverso na tessitura da teia da vida, é possível vivenciar a amorosidade para com a Terra, Mãe de Todas as Vidas.

Na íntima relação com os elementos da criação, ecos místicos clamam também por memórias de alimentos tradicionais/saudáveis já esquecidos, desconhecidos e até discriminados pelas novas gerações. Sussurram pedindo socorro: cariru*, beldroega*, bertalha*, cará-espinho*, cará-roxo*, cará-do-ar*, cipó alho*, cacauí*, taioba*, ora-pro-nobis*, erva-de-jabuti*, corama*, mari-mari*, piquiá*, pajurá*, uixi*, jatobá*, castanha sapucaia*, pupunha*, ariá*, patauá*, bacaba* e tantas outras espécies nativas condenadas ao extermínio.

Em paralelo, o padrão workshopista* oferecido nas merendas escolares, em encontros (até mesmo naqueles onde se discutem e analisam a crise mundial e respectivas causas) agride a natural originalidade e marginaliza os sabores livres de venenos e adoecimentos:  sucos de cupuaçu-açu, de manga, de melancia em contraposição ao nocivo e ameaçador refrigerante; mingaus de banana, de farinha de tapioca, de crueira*; o pé-de-moleque; o leite de castanha sapucaia; enfim, a macaxeira, a pupunha, o quebradinho de mandioca e de tapioca despertam lembranças, ainda que vagas, de puxirum* regado à pajiroba*, à manicuera* e tarubá*; lembranças de roça, de saberes naturais e de curandagens, de banhos de rio, de viagens de canoa, de pescarias com tarrafa e caniço, de água de cacimba, de peconhas*, de contos, canções e amores em noites de luar…

A partir de profunda conexão com a Deusa Universal adentramos numa mística viagem à Amazônia que somos, que nos habita; à Amazônia que fomos e que seremos. Em resposta, alertas e esperançamentos… Se ainda há memórias, vislumbram-se possibilidades… Introspecções interagem com sentimentos, anseios em forma de anúncios/denúncias captados do coração da Grande Mãe… 

Meus filhos e filhas, acolham os aprendizados e os transformem em práticas cotidianas e comunitárias. Tempos virão com inúmeras calamidades e doenças mortais… E já batem em vossas portas. Sobreviverão aqueles e aquelas, homens e mulheres, que souberem cultivar e compartilhar todos esses ensinamentos e memórias. Faço minha parte: apesar de todas as agressões sofridas em decorrência da corrida desenfreada por poder – dinheiro e bens materiais… Quando filhos e filhas cuidadosos permitem, gero alimentos saudáveis, águas e ar puros; propicio estações equilibradas, relações equitativas entre todos os seres; enfim, propicio as condições necessárias para uma saúde global, solidária. Em conflito com tantos agravos, concluo que a espécie humana mais atrapalha que contribui solidariamente. Se vocês alcançarem a essência de minha mensagem, entender-me-ão. Meus elementos básicos – o ar, o solo, a água e o céu, vivem muito bem sem vocês. E lembrem: vocês são meus hóspedes, não meus donos. Em meu perene recolhimento, sintonizo com seres iluminados e com seus anúncios em minha defesa; eles sabem: todos, indistintamente, somos UM, apesar de diversos. Ferir a um fere a todos e a todas. Nosso diálogo quebra silêncios e pode despertar memórias. Porém, mantenho-me sempre em estado de alerta. Nem todos se empenham em usar de minha nata sabedoria e amorosidade para interferir de forma justa e precisa. Estou consciente e preparada: se, de todo esse alerta em forma de semeadura, apenas uma semente germinar nas consciências de leitores, sou universalmente grata. Todo e qualquer cuidado com meu ventre alcançará a vida de todos vocês. Lembrem sempre: somos um sistema único e universal.

 O místico colóquio nos instiga à ação… No entanto, como comprovar a profundeza e complexidade do presente diálogo, seas materialidades exigidas são imperceptíveis e ignoradas a humanos de pouca fé?

Um profundo silêncio problematizara-se e trouxera memórias de Sor Juana Inés de la Cruz, mística e escritora mexicana (1651-1695), citada por Eymard Vasconcelos (2011): Calamos, não porque não tenhamos o que dizer, mas porque não sabemos como dizer tudo aquilo que gostaríamos de dizer. São códigos indecifráveis e certamente inaceitáveis para o positivismo sistêmico.

Profecias em movimento

A propósito, o místico diálogo brotara de inquietações, de compromissos muito além do concretismo; fluíra de sentimentos que desafiam a racionalidade estabelecida para além das palavras; dialetizam com a sapiência cósmica.

O mais surpreendente: os alertas, os apelos da Mãe Terra chegam justo nos ensaios para a realização da COP30: mais um evento global com propósitos de combater agressões planetárias paralelas às mudanças climáticas. Na dialetização sobre a realização da COP, a sapiência dos povos originários em sintonia com os alertas da Mãe Terra problematiza o comando das decisões, o volume de investimentos públicos, a efetivação das pautas apresentadas e os grupos beneficiados. E mais, sob a ética sapiência nativa, o desenvolvimento sustentável trazido nos arquivos da COP conflita radicalmente com os/as anúncios/denúncias da Mãe Terra ecom a herança ancestral cultivada por seus legítimos habitantes.

Tais inquietações chegam como alertas, como chamados ao fortalecimento da autonomia na defesa e reinvenção de modos de vida justos, dignos e saudáveis a todas as vidas que geram Vida no Planeta.  A propósito das inquietações: fluem de compromissos militantes concebidos a partir de uma consciência matrifocal e se oferecem como desafios indistintos aos grupos que participarão da COP30, para além declasse social, titularidades, raça, gênero, credo, faixa etária e/ou qualquer padrão de caráter separatista, individualista.

Certamente, só o tempo e a crença nas possibilidades do despertar para uma nova consciência alinhada à solidariedade universal, às antigas reverências e cuidados, trarão as justas respostas.

As vibrações energéticas semeadas nesses rascunhos teimosiam em sensibilizar consciências sobre os cuidados e diálogos com a Terra Mãe. Ecoam além de limites geográficos, tendem alcançar canteiros ainda férteis e acolhedores espalhados no Planeta. A semeadura utopiza um momento verdadeiramente novo fundamentado na reinvenção de jeitos e modos justos de conservar a estrutura andrógina* e vital de nossa Casa Comum.

As contribuições da COP30 ativam nossa responsabilidade, nossa íntima ligação com a Mãe Terra sobre a necessidade de uma coexistência pacífica entre todos os seres – filhos e filhas da mesma Mãe -, fecundados a partir de um místico orgasmo que avança sobre o tempo, sobre a história, alcança o aqui, o agora numa tessitura universal unindo semelhantes, semelhanças, diferentes e diferenças: o Ventre que nos permite vida e sobrevivência é abrigo comum, milenar…

Ainda que neguemos origens e laços, todos e todas, indistintamente, um dia retornaremos à Matriz.  

Falares de Casa

Ariá – Calathea allouia

Cacaí – Theobroma sylvestre

Cará-do-ar – Dioscorea bulbifera

Cará-espinho – Dioscorea altíssima

Cará-roxo – Dioscorea trifida

Cariru – Talinunm triangulare

Castanha sapucaia – Lecythis pisonis

Cipó-alho – Mansoa alliacea

Cordão umbilical energético – Expressão figurativa referente à nossa ligação com a Terra Mãe.

Corama – Kalanchoe pinnata

Beldroega – Portulaca oleracea

Bertalha – Bassella alba

Erva-de-jabuti – Peperomia pelúcida

Estrutura andrógina – Referente ao ventre feminino

Jatobá – Hymenaea courbaril

Manicuera – Bebida artesanal dos nativos da Amazônia

Mari-mari – Cassia leiandra

Ora-pro-nobis – Pereskia bleo

Pajurá – Parinari montana

Pajiroba – Bebida artesanal dos nativos do Amazonas com leve teor de fermentação usada em rituais, festas e puxiruns.

Peconha – Instrumento artesanal dos nativos da Amazônia, confeccionado com palha ou cipó e usado para coleta dos frutos de palmeiras.

Perfil matrifocal – Referência às sociedades centradas no culto da Mãe Divina e humana a partir de valores solidários e distribuição igualitária de tarefas e bens. Sob esse perfil as comunidades se organizavam ao redor das mulheres e das crianças que tinham a proteção dos homens. Diferente de um sistema matriarcal cuja base é a dominação social e/ou religiosa.

Piquiá – Caryocar villosum

Pupunha – Bactris gasipaes

Puxirum – O mesmo sentido de mutirão

Taioba – Xanthosoma taioba

Tarubá – Bebida artesanal dos nativos do Amazonas com leve teor de fermentação

Uixi-liso – Endopleura uchi

Workshopista – Sátira ao impositivo vocabular para nominar “oficinas”, encontros comunitários de cunho econômico educativo.

Apoio Acadêmico

CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida. São Paulo, Editora Cultrix, 1996

FAUR, Mirella. Círculos Sagrados para Mulheres Contemporâneas. São Paulo, Editora Pensamento, 2011; O Anuário da Grande Mãe. São Paulo. Editora Alfabeto, 2015.

LOVELOCK, James; e MARGULIS, Lynn. Hipótese Gaia. (1972). In MORAES, Paula Louredo. Brasil Escola.

TOLEDO, Víctor M.; BARRERA-BASSOLS, Narciso. A memória Biocultural – A Importância ecológica das Sabedorias Tradicionais. São Paulo, Editora Expressão Popular, 2015.

VASCONCELOS, Eymar Mourão (Organizador).  A Espiritualidade no Trabalho em Saúde. São Paulo, HUCITEC EDITORA, 2011.

Maria de Fátima Guedes Araújo. Caboca das Terras Baixas da Amazônia. Educadora popular, pesquisadora de saberes popular/tradicionais da Amazônia. Licenciada em Letras pela UERJ (Projeto Rondon/1998). Com Especialização em Estudos Latino-americanos pela Escola Nacional Florestan Fernandes/ UFJF. Fundadora da Associação de Mulheres de Parintins, da Articulação Parintins Cidadã, da TEIA de Educação Ambiental e Interação em Agrofloresta. Militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular em Saúde (ANEPS). Autora das obras, Ensaios de Rebeldia, Algemas Silenciadas, Vestígios de Curandage e Organizadora do Dicionário – Falares Cabocos.