
Por Rita de Cássia Fraga Machado
Professora de Filosofia da Universidade do Estado do Amazonas e estudante de psicanálise.
Não é difícil conversamos com algum colega e perceber que as coisas não andam muito bem em nossas instituições. O acúmulo de trabalho, a falta de reconhecimento e a ausência de investimento em saúde mental e no combate aos assédios na Universidade são problemas graves que enfrentamos. Vivemos em uma sociedade que altera-se e adoece ao mesmo tempo, intensificando cada vez mais sua noção de produtividade e do que é trabalho intelectual. Transtornos mentais causaram cerca de 2,6 mil afastamentos do trabalho no Amazonas no último ano, segundo dados do G1. A ansiedade lidera o ranking como um dos principais problemas de saúde mental. Este ano, 2026, os dados são piores. Afastamento de professores por saúde mental em Manaus dobrou em 5 anos, passando de 1005 (2019) afastamento de profissionais para 2.372 (2026) casos, segundo dados do Amazonas atual.
Esse quadro preocupante é um efeito sombrio do contexto atual de nosso país e do mundo. E a UEA não está fora dele. Cada vez mais premidos pela necropolítica, pela polarização e pela produção a qualquer custo, os professores sentem-se cansados, de mão amarradas e até mesmo sem perspectiva para continuar na carreira. Uma pesquisa feita pela Universidade de Campinas (Unicamp) aponta para um apagão na nossa profissão. A mesma pesquisa aponta que os desafios são enormes e a saúde mental destaca-se em primeiro lugar. Em segundo, aparece o assédio moral e institucional. No interior, a situação se intensifica ainda mais, pois o acesso a tratamentos é bastante limitado. Enfrentar esse desafio é tarefa de uma instituição que tem seus servidores imersos no mundo da educação. Formamos pessoas, projetamos humanidade, portanto, precisamos de saúde.
O que queremos destacar também é que um ambiente saudável é um ambiente com democracia, escuta atenta dos pares, boas condições estruturais de trabalho e apoio acadêmico em todas as dimensões que envolvem uma vida universitária. Líderes que estão atentos às necessidades de sua comunidade são aqueles que aceitam a convergência como forma de avançar e criam e fortalecem espaços saudáveis de trabalho.
Propor ações, lutar pela efetivação de programas, fazer novos concursos, melhorar condições de trabalho dos professores universitários são pontos fundamentais a serem implementados para enfrentar esses desafios que têm aumentado em nossas unidades. A Lei nº 10.216/2001 e a Lei nº 14.831/2024 são exemplos de dispositivos legais que obrigam as instituições a tratarem dessa pauta. Nós, das pensadoras, estamos atentas para essa questão e convidamos aos(às) colegas para se engajarem nessa reflexão.
Afinal, quanto vale a nossa saúde mental?