Geno feminicídio de Israel sobre Gaza: 70% das mortes em Gaza são mulheres

Por Rita de Cássia Fraga Machado – UEA
GT: Ética e Cidadania da ANPOF


Pensávamos que já tínhamos assistido a todo o terror do mundo até o genocídio de Israel em Gaza, que já dura mais de 20 meses. Um relatório da Anistia Internacional demonstra que a guerra de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza constitui um crime de genocídio, segundo o direito internacional, ao passo que, para o governo de Israel e para a ONU, esse crime não se caracteriza como genocídio porque não há intenções fúteis de matar.
Se é explodir uma maternidade e matar mulheres e crianças com bombas de guerra não for Geno feminicídio, devemos encontrar outro conceito para o que seja “fútil”. Porque, ao explodir essa maternidade, Israel sabia o que funcionava no local e quem estava lá.


Em Origens do totalitarismo, publicado por Hannah Arendt em 1951, encontramos elementos essenciais para entendermos que o totalitarismo, infelizmente, permanece bastante atual. Basta olhar para os atrozes atos de violência e terror que estão sendo cometidos em Gaza. Talvez o elemento mais essencial do pensamento de Hannah Arendt seja a ideia que a democracia exige o respeito aos direitos individuais, separação de poderes, limitação do poder do governante pela lei, representatividade, alternância de mandatos. Tudo o que não estamos vemos em Gaza. Qualquer ideia de direito internacional, individual e dignidade humana se esvai diante do que está acontecendo em Gaza. Gaza extrapolou tudo que tínhamos como ideal de direitos humanos.


Mais de 70% das mortes em Gaza são de mulheres e crianças, segundo informações da CNN. As mulheres palestinas já eram vítimas de violência por conta de um regime patriarcal de alta intensidade, e esse quadro só se agravou com a guerra em Gaza. Por isso, o que está ocorrendo em Gaza, sob a responsabilidade de Israel, é um Geno feminicídio.
Geno feminicídio é a junção de dois crimes hediondos: o genocídio e o feminicídio. Por isso, a sociedade precisa se movimentar e se posicionar diante dessa situação. Devemos nos manifestar, nos revoltar e divulgar o máximo possível o que está acontecendo. As mulheres estão morrendo bombardeadas, de fome e de desespero por perder suas famílias. “Corri para a casa e a encontrei totalmente destruída, reduzida a um monte de escombros sobre meus filhos e meu marido”, disse Sahar al Najjar. Não é uma questão religiosa, o que acontece em Gaza é a expressão mais brutal do desejo de poder pelo poder dos homens, que continuam a achar-se donos de mundo, inclusive decidindo quem deve morrer e quem deve viver.


Com isso, devemos tomar a coragem assim como fez inúmeras Universidades Brasileiras, a começar pela UNICAMP, e romper com convênios e parcerias com as Universidade Israelenses, a ciência não é Neutra. O ANDES-SN possui deliberações congressuais de apoio à causa palestina e de fortalecimento do movimento BDS – Boicote, Desinvestimento e Sanções. A campanha tem como objetivo pressionar Israel a cumprir o direito internacional, acabando com a ocupação e o regime de apartheid contra o povo palestino.


Com informações do Boletim do Andes Nacional publicado em agosto 2025.
Palestina livre! Pela vida das mulheres palestinas!