Por Gisele Rose
Doutoranda em Filosofia e Ensino
Mestra em Relações Étnico-Raciais
Nos primeiros anos do século XXI, o termo “interseccionalidade” passou a ser amplamente adotado por acadêmicas e acadêmicos, militantes de políticas públicas, profissionais e ativistas em diversos locais. Estudantes de ensino superior e docentes de áreas interdisciplinares, como estudos feministas, estudos raciais, estudos culturais, estudos da civilização estadunidense e da mídia, bem como da sociologia, da ciência política, da história e de outras disciplinas tradicionais, encontram a interseccionalidade em cursos, livros e artigos teóricos (COLLINS e BILGE, 2020, p. 01).
Para a professora de Direito na UCLA e Columbia Kimberlé Williams Crenshaw, a teoria da interseccionalidade surgiu, especificamente, para resolver um problema particular. “É importante esclarecer que o termo foi usado para verificar a aplicabilidade do feminismo negro em leis antidiscriminação”, diz ela. Na palestra realizada na LSE naquela noite, ela trouxe o caso de Degraffenreid vs General Motors, em que cinco mulheres negras processaram a GM por discriminação de raça e gênero. “O principal desafio da lei é a forma como foi fundamentada, porque a lei antidiscriminação olha para raça e gênero como elementos separados”, diz ela. “A consequência disso, é que as mulheres negras americanas — ou quaisquer outras mulheres não-brancas — vivem a experiência de uma discriminação por sobreposição ou conjunta. A lei, inicialmente, não estava lá para vir em sua defesa” (Fonte: Portal Geledés).
“O que faz com que uma análise seja interseccional não é o uso que ela dá ao termo ‘interseccionalidade’ nem o fato de estar situada numa genealogia familiar, nem de se valer de citações padrão”, nosso foco deve ser “o que a interseccionalidade faz e não o que a interseccionalidade é.” (COLLINS e BILGE, 2020, p. 16).
Através do Grupo de Estudos da Comunidade As Pensadoras iremos discutir gênero, raça e classe no Brasil com base na leitura dirigida do volume Interseccionalidade da Coleção Feminismos Plurais coordenado por Djamila Ribeiro e escrito por Carla Akotirene, onde iremos pensar juntas a interseccionalidade como ferramenta de luta perante os enfrentamentos e desafios políticos, sociais estruturais que atingem as mulheres negras. Seguimos na luta por uma sociedade mais justa, junte-se a nós.
REFERÊNCIAS
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. Feminismos plurais. Pólen. São Paulo, 2019.
COLLINS , Patricia Hills e BILGE, Sirma. Interseccionalidade. 1. ed. – São Paulo: Boitempo, 2020.
PORTAL GELEDÉS, https://www.geledes.org.br/kimberle-crenshaw-sobre-intersecionalidade-eu-queria-criar-uma-metafora-cotidiana-que-qualquer-pessoa-pudesse-usar/ Acesso em: 01 de julho de 2026.
FRASES
“A interseccionalidade é a autoridade intelectual de todas as mulheres que um dia foram interrompidas.”
Carla Akotirene
“Neste ponto de vista, a interseccionalidade de Kimberlé Crenshaw se torna inconveniente ao igualar opressões.”
Carla Akotirene
“A interseccionalidade, conforme vimos, nos coloca na encruzilhada do pensamento feminista negro.”
Carla Akotirene
“A interseccionalidade instrumentaliza os movimentos antirracistas, feministas e instâncias protetivas dos direitos humanos a lidarem com pautas de mulheres negras.”
Carla Akotirene